Aqui vai nascer cabelo – Insparya em destaque na Revista Visão

Toda a gente já ouviu, pelo menos uma vez na vida, que é dos carecas que elas gostam mais. A frase saiu da popular marcha de Carnaval, escrita em 1942 por Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr. Nós, Os Carecas, e tem servido de arma para aumentar a autoestima de quem sofre de calvície. É de tê-la em baixo, aliás, que se queixa quem vai perdendo cabelos, especialmente se a idade não rimar com um couro cabeludo lustroso e à mostra. E cada vez são menos os que querem assumir que estão a ficar carecas, porque, na verdade, não é deles que elas ou eles gostam mais. A modinha pode ser boa para sambar, mas é mentirosa que dói.

Aliás, a alopecia, o nome oficial para descrever a perda de cabelos, foi declarada, pela Organização Mundial da Saúde, uma doença Como tal, e atingindo 1% a 2% da população mundial, deve merecer a melhor atenção e um tratamento adequado. Cura, não existe. Um calvo nunca vai ter uma cabeleira farta, mas pode melhorar a sua condição. E os transplantes são essenciais para esse upgrade.

Não estamos só a falar de vaidade. Um cabelo vigoroso vai muito para lá da simples aparência. Um corte ou um penteado não são apenas um corte ou um penteado — eles espelham uma individualidade.

Quem o perde, ao cabelo, sofre com isso, especialmente se tal acontecer em idades jovens ou se se tratar de sexo feminino. As consequências psicossociais da queda do cabelo estão provadas pela Ciência. A associação entre stresse emocional e calvície é conhecida pelos profissionais da área e alguns estudos de departamentos de psicologia demonstram a relação entre as pessoas que sofrem de alopecia, a pouca autoestima e uma qualidade de vida mais baixa.

Antes dos investigadores entrarem em jogo, o valor de uma cabeleira já fora explorado na Bíblia, no episódio em que Sansão confessa a Dalila que, se os seus cabelos fossem cortados, a força abandoná-lo-ia. Apesar de ter partilhado o seu maior segredo, Sansão adormece no colo de Dalila que aproveita para lhe cortar os caracóis e só acorda com a chegada dos inimigos Filisteus que, ao contrário de outras vezes, o dominaram rapidamente, perfurando-lhe os olhos e prendendo-o com algemas.

Nos deuses da Antiguidade, o cabelo também era símbolo de força e de poder e, por isso, nunca poderia ser curto ou ralo — sempre que o cortavam era sinónimo de castração da força e da virilidade. […]

[…] A Insparya, com as suas cinco clínicas em Portugal, tem capacidade para 20 transplantes diários e é responsável por mais de 85% do mercado nacional. Desde que Cristiano Ronaldo entrou com capital, já abriram mais duas em Espanha e têm outras a caminho em vários pontos da Europa. […]

[…] Na clínica-mãe, no Porto, desenvolveram um departamento de investigação biomédica e tecnológica, em parceria com algumas universidades, para evoluírem no tratamento da alopecia androgenética, a culpada por 70% das calvícies que por aí andam. Também apostam na formação dos profissionais que contratam.

Carlos Portinha, 47 anos, é coordenador clínico da Insparya (a antiga Saúde Viável), e ele próprio um transplantado de sucesso. É médico com formação nesta área e sabe de cor o que se passou na sua cabeça, porque a técnica, embora tenha avançado muito, ainda é a mesma — sempre praticada, com perícia, por dois médicos e três enfermeiros. “Rapa-se o cabelo, fazem-se microincisões com o máximo de seis milímetros, puxa-se o folículo com uma pinça e põe-se numa solução conservadora. Depois, a equipa de enfermagem, ao microscópio, conta as unidades foliculares retiradas. Só transplantamos as íntegras.”

Para o transplante de Pedro Gomes, 60 anos, conseguiram-se nove mil cabelos, um score bastante satisfatório (este número depende sempre do estado da zona da recolha). A seguir a ouvir esta notícia, o açoriano deu por bem empregue a viagem de São Miguel para Lisboa, já que andava com a ideia de deixar de ser calvo há dois anos. Delicia-se com um bacalhau com grão antes de voltar à marquesa para lhe implantarem, uma a uma, as unidades foliculares recolhidas durante a manhã — nem a cabeça ensanguentada, tapada parcialmente com gaze, o deixa abalado. Aliás, enquanto as duas médicas lhe picotam a cabeça, num trabalho de minúcia, Pedro deixa-se adormecer em frente ao ecrã da televisão que debita música no canal MTV. Quando acordar, será um homem novo, pelo menos na aparência.

 

Artigo completo em: Revista Visão.

FONTE: Revista Visão Dezembro 2021 (Texto, LUÍSA OLIVEIRA)

2022-01-06T11:16:48+00:00